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Crédito consolidado: TAEG, MTIC e o risco do custo total

Como funciona o crédito consolidado, como ler a TAEG e o MTIC e porque uma prestação mais baixa pode significar pagar mais no total. Exemplo com números.

Publicado a · Maisfin.pt

Consolidar créditos é juntar vários empréstimos num só, com uma única prestação. É uma solução procurada por quem tem vários créditos pessoais, cartões e financiamentos e sente o orçamento apertado. Pode ajudar. Mas a pergunta certa não é só quanto passa a pagar por mês. É quanto vai pagar no total.

Como funciona

Uma instituição concede um novo crédito com o montante necessário para liquidar os créditos existentes. A partir daí passa a existir uma só prestação, um só prazo e uma só taxa. O novo crédito pode ser pessoal, sem garantia, ou com hipoteca, quando inclui um crédito habitação. Nos créditos aos consumidores aplica-se o Decreto-Lei n.º 133/2009; com hipoteca, o Decreto-Lei n.º 74-A/2017.

A prestação desce, em regra, por uma de duas razões: uma taxa mais baixa ou um prazo mais longo. A primeira reduz o custo. A segunda quase sempre o aumenta.

TAN, TAEG e MTIC

A TAN é a taxa de juro nominal: mede só os juros. A TAEG é a taxa anual de encargos efetiva global: inclui juros, comissões, impostos e seguros obrigatórios, e é a que permite comparar propostas. O MTIC, montante total imputado ao consumidor, é a soma de tudo o que vai pagar até ao fim do contrato.

Antes de assinar, a instituição tem de entregar a Ficha de Informação Normalizada (FIN), ou a FINE no crédito com hipoteca, com estes três valores. Nos créditos aos consumidores, a TAEG não pode ultrapassar as taxas máximas que o Banco de Portugal publica todos os trimestres.

Um exemplo com números

Imagine três créditos em curso:

CréditoCapitalTANPrazo restante
Crédito pessoal8 000 €9,5%48 meses
Crédito automóvel5 000 €14%36 meses
Cartão de crédito3 000 €16%24 meses

Hoje paga cerca de 519 € por mês e, até ao fim, cerca de 19 325 €. Consolidando os 16 000 € num crédito único a 8,5% e 7 anos, a prestação desce para cerca de 253 €. Parece um alívio de 266 € por mês. Mas, em 84 meses, paga cerca de 21 284 €: quase 2 000 € a mais, antes de comissões e impostos do novo contrato.

Com a mesma taxa a 5 anos, a prestação fica em cerca de 328 € e o total em cerca de 19 696 €, já muito perto do que pagaria sem consolidar. O prazo é a variável que mais pesa.

Os custos que se esquecem

  • Comissões de reembolso antecipado dos créditos atuais, até 0,5% do capital (0,25% se faltar menos de um ano).
  • Comissões de abertura e Imposto do Selo do novo crédito: 1,76% do montante em prazos de um ano ou mais, mais 4% sobre os juros.
  • Com hipoteca: avaliação, escritura, registos e, muitas vezes, seguros. E o risco passa a incluir a casa.

Quando pode fazer sentido

A consolidação faz sentido quando a TAEG do novo crédito é claramente mais baixa do que a média ponderada dos créditos atuais e o prazo não aumenta muito. Também pode ser útil para evitar o incumprimento, desde que seja uma decisão consciente de pagar mais em troca de folga mensal. Não faz sentido se servir para libertar limites de cartões que voltam a ser usados.

Sinais de alerta

Desconfie de promessas de "reduzir a prestação" sem MTIC, de pedidos de pagamento antecipado para "desbloquear" crédito e de entidades que não constem dos registos do Banco de Portugal. Pode confirmar qualquer entidade em bportugal.pt. Se já tem dificuldades em pagar, os bancos são obrigados a avaliar soluções no âmbito do PERSI, e existe uma rede de apoio ao consumidor endividado.

Como decidir

Compare sempre duas linhas: a prestação mensal e o MTIC, antes e depois. O nosso simulador de consolidação mostra as duas, lado a lado, e a taxa de esforço resultante.

Fontes

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